CARTOGRAFIA DO EXTRAVIO

Poesia, crônicas, memória, música

O AUTÓGRAFO DE GIANFRANCESCO GUARNIERI

O AUTÓGRAFO DE GUARNIERI

“Crescer vendo meu pai esperar a volta do Linense para a primeira divisão do Paulista fez com que eu compreendesse a dimensão épica do futebol; que entendesse que há forças e significados muito maiores do que se depreende dos reles números do placar ou da tabela.”

— Antonio Prata

No ano passado, o projeto Diálogos Contemporâneos trouxe ao Teatro Goiânia uma sequência de escritores, jornalistas, artistas e pensadores.

Passaram por ali Xico Sá, Renato Janine Ribeiro, Elisa Lucinda, Ignácio de Loyola Brandão, Mário Prata, Tereza Cruvinel e outros nomes da cultura brasileira.

Eu ainda vivia com os cuidados impostos pela pandemia e só me animei a sair depois de tomar a terceira dose da vacina contra a Covid.

Escolhi a noite de Mário Prata.

Depois da conversa, comprei seu livro O Drible da Vaca, publicado pela Record em 2021, e fui pedir um autógrafo.

Quando cheguei perto dele, disse uma coisa que me ocorrera desde que o vira no palco:

— Mário, você está a cara do Gianfrancesco Guarnieri.

Ele me olhou.

E se emocionou.

Contou que fora muito amigo de Guarnieri e de sua família.

A conversa então enveredou por futebol, literatura, teatro, amizade.

Eu disse que era Fluminense.

Mário abriu o livro e escreveu:

“Ao Chico Kleber, abração do Guarnieri.”

Fechou o livro.

E, naquele instante, não era mais apenas Mário Prata quem me dava um autógrafo.

Guarnieri, convocado pela memória de um amigo, também estava um pouquinho ali.

Salve Mário Prata.
Salve Gianfrancesco Guarnieri.
Viva a cultura brasileira!

Chico Kleber

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