CARTOGRAFIA DO EXTRAVIO

Poesia, crônicas, memória, música

TAPECEIRA DO ORIENTE

Me desoriente, tapeceira do Oriente —

desfaça os nós que me mantêm inteiro.

Troque meus mapas por miragens

meus trilhos por tapetes voadores, vermelhos,

minhas certezas por perfumes de ópio,  que confundem o tempo.

Borde em meus olhos um desvio,

costure em minha pele o avesso do caminho do camelo.

Que eu me perca nas tramas do teu tear,

onde cada fio é um destino que não se cumpre,

e cada cor, um segredo que dança de lua a lua

Me ensine a andar em espirais,

a decifrar o silêncio frio dos desertos,

a dormir sobre enigmas e acordar em labirintos.

Que tua agulha me fira com beleza,

e tua seda me enrede em delírio.

Tapeceira do Oriente,

desoriente-me com teus teares de vento,

com teus olhos de tempestade, com tua voz que canta em línguas emboladas,semíticas,  aramaicas

Acuda esse beduíno que arde em febre de um quase esquizofrênico, que sonha contigo em miragens das tardes

E me chama para nunca mais voltar.

Chico Kleber

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