OLHOS DE QUIMERAS

“Há noites em que o escuro é um modo de ver.”
— Octavio Paz
Tenho nos olhos quimeras,
poeira das estrelas,
tristes primaveras,
loucos e insanos devaneios.
Tenho nos olhos estrelas
decaídas da Via Láctea:
noites insones, olheiras,
esperanças na retina.
Pálpebras de neblina
disfarçam minha cegueira
enquanto busco a luz,
no universo, algum alento.
Recolho-me, então, ao meu abrigo
e percorro adentro minha escuridão:
todo sentimento translúcido
do lusco-fusco
que ainda há vivo,
onipresente em mim,
dentro do meu coração.
Chico Kleber
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