CARTOGRAFIA DO EXTRAVIO

Poesia, crônicas, memória, música

AUTORRETRATO METAPOÉTICO

AUTORRETRATO METAPOÉTICO

“Escrevo para não morrer —
e morro um pouco em cada verso.”

— Chico Kleber

Minha poesia é canto elegíaco, lírico,
um corpo metapoético que me sustenta.
Crio — e habito — minhas próprias alquimias:
sentimentos que me queimam por dentro
e doem por fora, quase sempre.

Escrevo porque vivo no transe da poesia;
é ali que respiro, que me refaço,
me liberto, permaneço, renasço.

Não fico imune a essa atmosfera
meu espaço ritualístico, xamânico —
que me reclama por inteiro,
me consome, me devora
e, por fim, me alivia.

É na entrega inevitável aos versos
que me encontro, me perco e me salvo,
noite e dia, de janeiro a janeiro,
sem qualquer simetria,
descanso ou cansaço.

Sou o poeta que escreve para não morrer
e que morre um pouco em cada poema,
para renascer inteiro
na próxima linha.

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