
Escrevo para me perder.
Porque só o que se desorienta
encontra novas rotas —
planícies abertas,
superfícies sensíveis,
aortas ocultas
em moto-contínuo,
circular.
Desorientar-se
é vício de nascença.
Não busco saída.
Busco permanência
nesse breu ativo
onde a vida, ferida,
ainda insiste
em continuar
por caminhos perdidos,
inauditos,
subterrâneos —
em qualquer lugar.
Perder-se não é falha —
é condição do vivo,
do escriba faminto.
Só no extravio
o mundo se reabre,
e a existência,
sem promessa de retorno,
finalmente acontece
sem se notar.
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