CARTOGRAFIA DO EXTRAVIO

Poesia, crônicas, memória, música

CARTOGRAFIA DO EXTRAVIO

Escrevo para me perder.
Porque só o que se desorienta
encontra novas rotas —
planícies abertas,
superfícies sensíveis,
aortas ocultas
em moto-contínuo,
circular.

Desorientar-se
é vício de nascença.

Não busco saída.
Busco permanência
nesse breu ativo
onde a vida, ferida,
ainda insiste
em continuar
por caminhos perdidos,
inauditos,
subterrâneos —
em qualquer lugar.

Perder-se não é falha —
é condição do vivo,
do escriba faminto.

Só no extravio
o mundo se reabre,
e a existência,
sem promessa de retorno,
finalmente acontece
sem se notar.

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